Funcionamento
do corpo durante a Atividade Física
A
energia utilizada pelo corpo e proveniente dos carboidratos, lipídeos e
proteínas que ingerimos durante a Alimentação. No entanto, as moléculas não vem
prontas dentro de cada alimento para serem utilizadas pela nossa musculatura. É
necessária a degradação de cada uma dessas moléculas para depois serem
armazenadas em seus respectivos depósitos e por último, enviadas ao músculo que
exercerá determinada atividade. No caso dos carboidratos, o corpo humano quebra
suas moléculas em glicose e as envia ao fígado e músculo, para serem
armazenadas em forma de glicogênio. A gordura, é transformada em ácido graxo e
glicerol, e armazenada em forma de triglicerídeo. E por último as proteínas,
que são quebradas em aminoácidos.
Existem
3 diferentes formas de substrato energético utilizadas pelo corpo durante a
atividade física, são elas: ATP-CP;
Sistema Anaeróbio; Sistema Aeróbio. o corpo e capaz de escolher entre
cada uma delas de acordo com sua necessidade momentânea. Vamos falar brevemente
sobre cada um delas.
ATP-CP:
É a principal fonte de energia para todas os processos do organismo e, também,
a forma mais rápida de se utilizar energia para execução de atividades intensas
de baixa duração pois há a liberação imediata de energia e seu estoque é
pequeno. Esta energia vem dos fosfatos de alta energia (ATP e CP) armazenados
dentro das células dos músculos a serem utilizados durante a atividade, por
isso não duram muito tempo.
Sistema
Anaeróbio: Após a utilização da ATP, se
inicia a liberação de energia pelos carboidratos- via glicolítica. A degradação
da glicose ocorre a partir de sua decomposição em duas moléculas de ácido
pirúvico, o qual é convertido em ácido lático sem a utilização de oxigênio. Uma
das reservas de ATP-CP no corpo é a creatina, encontrada em carnes e
suplementos. Esse sistema é utilizado durante atividades de alta intensidade
executados por alguns minutos, entre eles: musculação, provas de natação e
atletismo que duram alguns minutos.
Sistema
Aeróbio: Sistema capaz de manter o corpo em atividade prolongada durante
períodos de tempo muito maiores que no sistema anaeróbio pois as células de
gordura chegam a produzir até 35 vezes mais calorias que o glicogênio hepático.
Por isso, a gordura acaba sendo mais utilizada para fornecer energia que os
carboidratos, porém, é necessário lembrar que, os carboidratos são necessários
para dar início ao ciclo. Neste processo, o ácido pirúvico é convertido em acetil
CoA, que entra no ciclo de Krebs e inicia o sistema de fornecimento de energia
aeróbia. Durante tal processo, a gordura também participa do fornecimento de
energia devido à ß oxidação que transforma ácidos graxos livres em Acetil CoA e
também entra no ciclo de Krebs (lipólise). É utilizado em exercícios de
moderada ou baixa frequência cardíaca e com pequena demanda de ácido lático:
maratonas, ciclismo e treinos prolongados.
Ciclo de Krebs
Os
carboidratos e gorduras serão os combustíveis preferidos pelo corpo para
adquirir energia, porém, as proteínas (formadas por aminoácidos), também podem
ser transformadas em piruvato ou Acetil CoA e assim participar do ciclo de
Krebs.
A
energia total proveniente deste metabolismo proteico normalmente varia de 5 a
10%, no entanto, dietas com baixo nível de carboidratos obrigam o corpo a
aumentar sua participação para atender as necessidades do músculo.
Alterações
decorrentes da Dieta Low Carb no Exercício Físico
Nas
primeiras duas semanas, aproximadamente, o corpo ainda não esta ceto-adaptado
(adaptado a usar gordura como fonte de energia no lugar da glicose), por isso,
pelo contrário do que muitos pensam, atividades intensas não são recomendadas
pois podem estimular um maior nível de catabolismo muscular devido a falta de
glicogênio.
A crença popular
alega que nessas primeiras semanas, o corpo perde mais peso pois a dieta
funciona melhor e, depois que o corpo se adapta, não funciona mais. Por isso,
esse é o melhor período para fazer as atividades mais intensas e potencializar
a perda de gordura. Porém, este pensamento esta completamente errado, o fato de
perder mais gordura não significa que a dieta funciona melhor no início, pelo
contrário, neste período o corpo ainda não se adaptou à falta de carboidratos
como fonte primaria e diminui sua taxa metabólica basal (energia mínima para
manter o corpo funcionando em repouso) para compensar a falta de energia e
ainda não esta ceto-adaptado. Além disso, devido ao catabolismo muscular, de
certa forma, quem se exercita demais nas primeiras semanas acaba engordando
devido a diminuição da quantidade de massa magra em relação à gordura corporal,
que é preservada.
Após
o período de ceto-adaptação, o corpo percebe a falta de carboidratos na dieta e
começa a utilizar suas fontes secundarias e terciarias para suprir seu gasto
energético. É neste momento que a dieta
começa a mostrar resultados significativos. A gordura se torna a principal
fonte de energia, processo que ocorre através da lipólise. A proteína, antes
responsável basicamente pela reconstrução do tecido muscular, agora participa
também da produção de energia. Assim, as quantidades de proteína dentro da
dieta devem ser aumentadas para que não falte proteína para o processo de
reconstituição da massa magra.
Em
relação ao exercício físico, o melhor não é ir para academia e ficar horas
correndo na esteira ou combinar cinco exercícios diferentes por dia para
manter-se o tempo inteiro ''queimando gordura''. Esse tipo de exercício quando
praticado na a ausência de carboidratos (logo ausência de glicogênio), estimula
o corpo a guardar sua gordura e prioriza a quebra de um tecido mais
metabolicamente ativo, como a massa muscular, do que a quebra do tecido
adiposo, que exige menos energia para se manter. Só em último caso a gordura
vem de forma mais eficiente para manter os mecanismos principais, como o
sistema nervoso e o cardíaco, mas nesse momento, estamos falando de casos
extremos, como passar dias sem comer. Por isso, o aconselhável é fazer uma
atividade intensa e de baixo gasto calórico. Entre elas, exercícios de força e
explosão com bons intervalos de descanso.
Qualquer método de
treinamento deve ser acompanhado por um profissional.

Dessa
forma, a maneira correta de se exercitar ao fazer uso de uma dieta low carb é,
iniciar com atividades menos intensas e ir aumentando gradualmente sua
intensidade. E, para potencializar a perda de gordura, utilizar após o período
de adaptação do corpo, o método de treinamento conhecido como Exercício
Intervalado de Alta Intensidade, devido ao baixo gasto calórico, quando se
compara com várias horas de esteira, e por queimar mais que o dobro da gordura
que a atividade aeróbia. Para atletas, esse tipo de dieta não é muito
recomendada durante o período de treino pois é constatada a existência de
efeitos negativos consideráveis, sendo o principal deles a dificuldade de repor
os estoques de glicogênio intra-muscular, o que atrapalha na regeneração da
musculatura do atleta. Por isso, é utilizada apenas por atletas como
fisiculturistas, momentos antes de competir para diminuir a gordura corporal
sem afetar a musculatura significativamente.
Por: Thiago Cantalogo Pereira
Fontes: